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Uma recramação

 

Oh! Meu sinhô do fim da rua
tô aqui pra recramá
dum mar de amô
que mi deixô chorá.
Me aprontei tuda bunita,
cum vistido de chita,
trança no cabelo,
com marrio de fita,
batom vermeio na boca,
mais parecia uma boneca.
Fui dengosa nu baile,
esperando o Zé da Foice
me tira pra dançá,
joguei oiado de lado,
mandei um beijo ca mão,
mais o marvado oiava dotro lado,
nu rumo da Maria Faísca,
e fingia que num via essa
minina linda aqui.
Garrei a fica nervosa,
quando eles passaro dançando
e arrastando o pé no chão
levantando poera que até
meu nariz ficô zangado
e distampo a espirra.
Meus oios encheram de água,
a reiva tomou conta de mim,
quetinha fiz uma promessa
de vingança pro Zé.
Estiquei os óio pro salão,
pra descobri otro bunitão,
e num é que encontro
o João Safadeza,
dando mole na porta da  frente?
Sem muito esperá,
lanço pra ele meu oiar,
 junto uma piscada como que a falá
venha logo me tira pra dançá...
Inda bem que o danado
entendeu meu recado,
atravessô faiscando o salão 
e do meu lado chegô,
e sem muita demora
nus seus braços mi joguei,
agarrei seu pescoço,
e fui puxando pru meio do salão.
E num é que o João dança bem,
 me apertano a cintura,
colocando seu rosto moiado
bem do lado da minha cara,
fechei meus oios e sonhei
com esse novo novo  principe
que pode ponhá o Zé no chinelo,
e me fazê pará de sofrê.

 

 

 

COPYRIGHT ART E DESIGNER BY J.CARLOS SANTTANA CARDOSO

 

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