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"
Trocedor Caipira"
João de Assis
Eu trôço pru galo num é de hoje, não, minino... ih!... ó... dês do tempo do
Viladônega e do Toledo...quando eu faiei no Viladônega e no Toledo, foi
pruquê eu me alembrei da pirmeira vez que fui a belzonte... ui!...
isquici... belzonte é cum letra grande que iscreve...Belzonte - é nome de
cidade. E eu me alembro cumo si fôssi inda hoje... era umas dez hora da
noite... o tomove que eu tava, parô perto do parquimunicipá...e o
outofalante falô assim... "pra aligria dos atreticano, caba de entrá no
parqui os jogadô: Viladônega e Toledo". Isso fais tempo pra caramba... eu
num tava no diluvio, não... mas xugei o pé na lama... Adispois inté tocou
uma musga qui nunca mais saiu das minhas alembrança - Ai que Sardade eu
tenho da Bahia... alembro também que eu trucia pru fruminense... o "galo"
era o mêo sigundo time... adispois é qui passô a sê o pirmeiro... e nois
mandava em todo mundo... o time que meaçava aprumá a cabeça num ano, nois
cumprava tôdo seus jogadô no ôtro ano... teve inté um ano qui nois cumprô os
dois laterá da seleção minera: Canindé e Dawsom, só pra ficá cum a defesa da
seleção, pruquê o golero e osôtro dois beque já era nosso. E essa pujança
nossa, cais matava os nosso "desamô" de reiva... ê... tempo bão... êis vivia
no nosso chulé...
A Bibia faia que hôve sete praga no Igito... foi não... foi só seis... a
ôtra praga fôi aqui em Belzonte, mêmo... foi quando os desaforado arranjaro
um tar de Filizbrande... e êsse disgracento ranjô uns jogadô indiabrado. Na
verdade memo, foi só uns trêis. E reconhecê quie eis tivero só treis, já
danado de bão... num era pra gente acha ninhum. Foi um tar de Dirceo Lope;
um tar de tostão... sei que esse, era dinhero o pilido dêle... e um golero
que jugava cuma camisa marela... cá pra nóis... ele era bunito...ô home
bunito, sô... nois num pudia era fica faiando isso, não, pruquê nois é home,
e home qui é home, num acha ôtro home bunito, não. Aí intão, nois subiava
pra ele... e gritava: bicha!... bicha!... essas praga feiz dá calo na nossa
mão, de tanto a gente socá ela e faià: na próxima ôceis vão vê... e bota
próxima nisso... chegaro inté nos humiá faiando qui nossa bandêra tinha
virado desodorante e só vivia dibaxo do braço...
Mais como a gente faia aqui na roça... castigo anda a cavalo, mas um dia
chega... e chegô memo... tomém ês foro mexê cum vespêro; cutucaro a onça cum
vara curta... nois arranjemo tomém um tar de prisidente qui num era nem
brasilero, não... era um tar de Eliacaiu... há!... ele vingou bem vingado...
êi feiz qui nem o namorado da cabôca Tereza, do Tunico e Tinoco... êi rumô
uns minino bão... mas bão qui nem corda de bacaiáu, num ixiste mió...
Palosidoro... tinha um fôego qui nem cavalo lazão... curria o campo todo...
tanto que pricisava avisa êi, que o jogo tinha acabado, senão êi num parava
de corrê, não... Um ôtro qui êis faiava qui era fio de paiaço...mintira,
pura... boato da posição... êi jugava tanto, que matava os "nosso desafeto"
de chorá... purisso qui eu faio que êi num era fio de paiaçu coisa ninhuma,
paiaçu fais a gente ri e êi fazia eis chorá de reiva... Sem faia inda num
tar de Reinardo... êsse era pió do que curisco... eu inté lembro dum dia,
que nois já tava ganhando de trêis a um, e êi jogô a bola no meio das perna
do Morais, e o Morais que nun tinha morais nenhuma, deu um baita sôco na
carinha do nosso Reinardo... coitado do Morais, qui Deus o tenha... mais que
ficô na sardade, ah! isso ficô... êi nem isperô o jis expursar êi... depois
do sôco, foi saino do campo direto pru túnio deis...
Esses nosso desafetos ficaro mió agora... pruque nois bubiamos... êis era
tão piqueno, qui nois tirava tudo deis... qui nem tira biscoito na mão de
criança... eis tinha um tar de Neinho, que tinha no pé o coice dum burro...
feis nois chorá um tempo. Mais dispois nois robemo ele, deis... aí eis
cumero o pão cu diabo massô cu rabo... devorvemo todo aquei veneno... e num
foi só isso não... nois robava dêis, tudo ques tinha de bão... o dotô
Nêlolasmá, o Mussula, o Spenci; o Porcópio... e muitos mais qui nem me
alembro agoia... Nois era o bão... as rádio só faiava no Atrético... jogo
dos desafeto, só dava má e má, os resurtado... jorná qui faiava má do
galo... num vindia. Nois era maió que êis... inté os jis era nosso... tinha
um tar de Joquim Gonçalvo, qui eis pusero pilido nei de Joquim cocó... isso
é que era punjança... ah!... inté ia isqueceno... um dia os nosso desafeto
rumaro um laterá qui chamava Neco... só de reiva nóis fômo lá no Uruguá e
buscamo o Cincuneco... issó nóis fizemo só pra gozar as cara deis.
É inté injunstiça num faia nada do Dariu peito de aço... seis nun
conhecero... mais êi era tão bão qui tinha um locutô qui faiava assim "bola
cum Dariu... já vai a locumotiva com seus vagonzinho tudo atrais... os
vagonzinhos era os jogado dos nosso desafeto.
Nois era cunsiderado o "pai de todo"... se um time de fora batesse nos time
minero, nóis chamava êis aqui de vorta e batia tanto nêis que êis pirdia
inté o rumo de casa... purisso qui no hino nois cantemo o Vingadô... nois
num dexava barato, não...
Pena que num pareceu ôtro Eliacaiu... inté qui pareceu um fio dei, aí... má
invés dêi brigá cun os nosso desafeto, êi cumeçô a brigar cun nóis mêmo...
mais eu tenho isperança e fé no meu bom Jesuis, que inda vai parecê ôtro
prisidente de purso qui nem o Eliacaiu... aí intão nois vamo acertá as nossa
conta, qui já tà ficando trasadas.
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